Olá, pessoal! Para quem ainda não me conhece, me chamo Marcelo Xavier Magalhães, tenho 28 anos e sou de Brasília/DF. Gosto de Pokémon desde os meus 14 anos, quando surgiu o anime por aqui. Depois fui me apaixonando pela franquia dos videogames, embora sempre for fun, foi quando há muito tempo atrás havia jogado Pokémon TCG para o Game Boy, onde aprendi o básico sobre o jogo.
Como na época era difícil e bem mais caro o acesso, só tive a oportunidade de jogar o TCG real nos últimos três anos, quando a Copag assumiu a franquia no país. Comecei colecionando umas cartinhas, depois fui procurando nas redes sociais quem jogava e acabei encontrando os poucos de Brasília que jogavam. Fui me enturmando, com meu jeito bem tímido, mas foi quando aprendi a jogar competitivamente. Meu primeiro torneio foi um selado de BW Vitórias Nobres, que eu acabei vencendo. Foi quando realmente me apaixonei pelo jogo e resolvi levá-lo mais a sério.
Participei do Nacional de 2012 e fiquei maravilhado com o clima que existe em torneios grandes, a competitividade e o fair play são o que mais gosto no jogo e o que me motiva a continuar jogando. Não lembro bem a minha classificação, mas tinha ficado entre os 40 primeiros jogando de Zekeels com Mewtwo. Admirei o pessoal que fez Top nesse torneio, pois vi o quanto ele é difícil – e tive meu primeiro ídolo, o campeão daquele ano, Cesar Lopes Pereira, pelos excelentes resultados que ele havia conseguido: se não me engano ele ganhou o torneio invicto!
No Nacional do ano passado eu tive a grande felicidade de ter conseguido chegar até a final jogando de Spaghetti (Sigilyph/Virizion/Victini/Sableye/Tornadus-EX), algo que realmente eu não esperava, mas o que me ajudou bastante foi a escolha do deck, que poucos conheciam – e os poucos que conheciam não sabiam como jogar contra direito. Tive ao mesmo tempo a tristeza e a frustração de ter perdido na final por pegar uma partida muito desfavorável – um excelente oponente e meu segundo ídolo, Vinícius La Padula – e também enfrentado um nervosismo incontrolável. Mas foi até então o campeonato mais importante, pois aprendi muito sobre mim mesmo e como lutar contra as adversidades.
Ano passado fui ao Mundial em Vancouver, joguei de Gothitelle por já gostar do deck e por ele ter vencido o Nacional Americano, o que mostrava o potencial do deck. Foi um erro, pois todos esperavam e se prepararam contra o deck, o que me rendeu um 126º lugar. A experiência do Mundial é algo surreal, eu incentivo a todos chegarem até lá um dia. Espero que esse report não seja apenas uma descrição do que aconteceu, mas um incentivo a todos continuarem lutando, pois este meu breve histórico no game é uma história de superação.
A escolha do deck foi muito difícil este ano. Joguei o começo da temporada com Virgen/Munna/Musharna e consegui um 2º lugar no Regional de Brasília. Joguei de Ho-oh/Garbodor/Techs em dois Cities e consegui um 2º lugar em Brasília também. Joguei os dois Regionais de abril do centro-oeste, com Darkrai/Yveltal/Absol em Brasília (onde fiquei novamente em 2º lugar) e Darkrai/Yveltal/Garbodor em Goiânia (onde peguei o 7º lugar).
Já estava tranquilo com os CPs, pois já somavam a minha vaga pro Mundial deste ano. Não tive muito tempo para me preparar devido à correria no trabalho, mas abracei a ideia do meu ídolo número 1 e grande amigo, André Bortoni, de que poderíamos jogar com Darkrai/Yveltal/Zoroark, o que quase ninguém provavelmente estaria esperando e eu quis contar com o fator surpresa novamente. Além disso, vimos que o Kevin Baxter, um americano, havia feito Top 8 com esse deck num Regional importante por lá. Entrei em contato com ele, que foi muito gentil em me dar umas dicas e a lista que ele tinha usado.
Desde os regionais até a noite da sexta-feira anterior ao Nacional, eu dediquei o tempo que tive jogando com Zoroark com o Bortoni e meu outro grande ídolo Daniel Nunes, mas a maior parte no Pokémon TCG Online. Trabalhei sexta-feira desde cedo até as 19h, fui do trabalho direto pro aeroporto e cheguei no hotel em SP às 23h. Por sorte do destino, acaso, intervenção divina ou não sei o quê, fiquei no mesmo hotel e no mesmo andar que o Team Wada, lendas do Pokémon TCG e time que eu gostaria de participar caso fosse de SP (e caso eles me aceitassem também, haha).
Os meninos foram muito gentis em me aceitar pra treinar aqueles últimos momentos e este foi o momento decisivo. Nas poucas partidas que jogamos, vi que o deck de Zoroark não estava rodando bem e estava perdendo quase todas. Não me convenci com o deck e resolvi mudar ali, já quase às 4h da madrugada. Tinha a intuição de que Darkrai/Yveltal levaria o torneio, só não sabia a versão. Me inspirei na lista de outro grande mito do Pokémon TCG, chamado Gabriel Semedo – pude vê-lo jogar durante o Regional de Goiânia e fui observando mais ou menos a lista e a forma como ele jogava. Tentei fazer uma mistura de Darkrai/Yveltal/Bouffalant/Garbodor, com 1-1 Garbodor ali de última hora, esperando que teria muito Blastoise, Emboar e Virgen, que são matchs difíceis, além de eu não ter treinado muito (uma vez que eu estava de Zoroark até então).
Fui dormir já quase 5h da manhã e acordei assustado por volta das 8h com o Team Wada batendo à porta do quarto. Escrevi a deck list com 1-1 Garbodor e fui assim para o Nacional. Chegando lá, tivemos aquela demora imensa no início, deu repareamento e tudo e acabou que nos liberaram pro almoço pra começar o torneio de verdade às 13h. Neste momento pedi pro Daniel Nunes jogar uma última partida comigo no quarto do hotel e foi quando tive a segurança em tirar o 1-1 Garbodor, vendo que ele não iria fazer muita diferença e iria tirar a consistência do meu deck. Por isso fiz uma nova lista apenas com Darkrai/Yveltal/Bouffalant:
3 Yveltal-EX
2 Darkrai-EX
2 Yveltal
2 Bouffalant
1 Sableye
1 Keldeo-EX
= 11
8 Dark Energy
4 DCE
= 12
4 Juniper
4 N
2 Colress
2 Bicycle
1 Random Receiver
= 13
4 Hypnotoxic Laser
2 Virbank City Gym
3 Ultra Ball
3 Pokémon Catcher
3 Dark Patch
3 Muscle Band
2 Energy Switch
1 Tool Scraper
1 Professor’s Letter
1 Dowsing Machine
1 Enhanced Hammer
= 24
1º Round X Felipe (Plasma/Lugia-EX)
Eu estava muito nervoso pelo começo do torneio. Lembro de ele ter começado a primeira partida e ter feito o setup rápido, me batendo principalmente com Thundurus contra os Yveltalzinhos e depois os EX. Essa eu perdi fácil, mas serviu pra eu entender contra o quê estava jogando. A segunda partida eu consegui fazer o deck rodar e foquei mais em bater de Bouffalant e finalizar com Yveltal-EX. A terceira partida foi muito apertada por causa do tempo, mas ele tinha aberto uma boa vantagem, foi quando caímos nos três turnos. Eu não tinha a menor chance de vencer e faltavam três prêmios para ele.
Ele tinha um Thundurus com 140 de dano no banco e eu tinha um Darkrai montado zerado, era meu turno 2 e o dele seria o último. Eu vi que ele tinha o banco cheio, 3 Deoxys e uma Lugia com 1 energia. Resolvi atacar e matar o Thundurus do banco no snipe do Darkrai. Foi a maior estupidez, burrice, idiotice que alguém poderia cometer – antes eu não tivesse feito nada, pois ele não conseguiria vencer. Ele baixou DCE na Lugia, usou Colress Machine, ligou Muscle Band, baixou o quarto Deoxys e deu Switch pra ganhar ali aos 48 minutos do segundo tempo. Esse meu miss play me deixou muito abalado e tirou completamente a minha confiança. Vi que a minha luta seria principalmente contra mim mesmo e que, se eu realmente quisesse fazer Top, não poderia mais perder nenhuma, nem cometer mais bobeira alguma. E foi o que eu enfiei na cabeça e não deixei mais sair.
0-1-0
2º Round X Kaio (Infernape/Lugia-EX/Deoxys-EX/????)
Fui parar na mesa 96 e dali teria que me superar de qualquer forma. Enfrentei um deck que não tinha visto antes, nem lembrava o que o Infernape fazia. Não lembro exatamente tudo o que ele usava também, mas lembro que a primeira partida eu venci com facilidade, pois ele ficou zicado sem Supporter por um bom tempo. Já a segunda partida o meu deck decidiu não funcionar – Kaio ficou usando o ataque que me impede de usar um dos meus ataques, então não tinha como bater forte. A terceira partida foi mais equilibrada, mas teve um momento em que ele foi ficando sem energia e eu acabei limpando o campo dele, já com o tempo quase sendo chamado. O deck parecia interessante e ele joga bem, porém vi que ele estava bem nervoso e isso me ajudou.
1-1-0
3º Round X Junior (Landorus-EX/Mewtwo-EX/Bouffalant/Garbodor)
Cearense gente finíssima, as partidas foram bem disputadas. Foquei em usar Yveltal-EX e Yveltalzinho, já que têm resistência ao Landorus e acho que o peguei de surpresa batendo de Keldeo com Muscle Band pra limpar os Landorus dele. O que mais me incomodava era ele dar Max Potion, já que é difícil dar 1HKO contra o deck dele. Não lembro se foi 2-0 ou 2-1 pra mim, mas comecei a contar com a minha sorte a partir desse momento acertando os Catcher e os Laser. Fizeram bastante diferença.
2-1-0
4º Round X Henrique (Aromatisse/Thundurus-EX/Genesect-EX/Darkrai-EX/Techs)
Essa partida foi muito divertida e me exigiu bastante raciocínio. A primeira ele começou de Thundurus e eu apenas de Sableye, e eu estava com uma mão horrível e sem Pokémon no banco. Ele ligou energia no ativo, descartou energia e baixou Genesect pra começar a botar energia no campo dele. Eu o deixei poison, mas acordado – e ataquei de Confuse Ray, deixando-o confuso. Ele atacou com Muscle e acertou cara, tomei 50 de dano. Comprei finalmente Supporter e consegui baixar Bouffalant com DCE. Ele atacou e tomou dano de confusão, daí eu finalizei de Bouffalant e comecei a fazer meu setup rápido, levando essa.
A segunda partida foi bem mais difícil: ele saiu na frente nos prizes e acabou limpando minhas energias do campo. Teve um momento em que veio Sableye, Hammer e Dowsing Machine na minha mão. Eu usei Hammer, Dowsing pra Hammer de novo e Junk Hunt pras duas novamente. Ele não conseguiu nocautear o Sableye por eu ter deixado o campo dele só com energias plasma e uma prism, então eu dei novamente Hammer e Dowsing pra Hammer e Junk Hunt de novo. Levei um N depois disso e comecei a bater. Acertei um Catcher pra nocautear Aromatisse e isso facilitou bastante. Lembro que pro meu último prize ele deixou um Virizion ativo com prism e eu consegui o combo de Bouffalant/Muscle/Laserbank com a Hammer que veio na minha mão de novo. Pra vocês verem como aprendi com a final do ano passado, hahaha!
3-1-0
5º Round X Louis (Darkrai/Yveltal/Garbodor)
Outro cara muito gente fina, conversamos bastante. A partida foi relativamente tranquila por um simples detalhe: ele não usava Yveltalzinho. Contra mirror ele faz diferença na troca de prizes, por ir distribuindo dano pra depois finalizar com Bouffalant. Ele então foi forçado a estar atacando sempre com os 3 Yveltal-EX dele – quem começa a guerra de Yveltal geralmente leva a pior, como era antigamente na Mewtwo War. Além disso, lembro de ele não ter usado tanto o Garbodor, o que me permitiu abusar do Keldeo pra sair do Poison/Sleep. No final da partida ele me disse que na cidade dele há grande dificuldade em conseguir cartas. Peguei na minha mochila um outro Yveltalzinho que eu tinha e dei pra ele melhorar o deck dele pros outros torneios.
4-1-0
6º Round X Francisco (Virgen)
Alguns pequenos fatos aconteceram para chegar a esta partida: meu Pokémon favorito é o Cyndaquil e eu sempre joguei com a moeda dele. Só que eu perdi a minha moeda e tive que escolher outra entre as que eu tinha. Vi a do Totodile e resolvi pegá-la por ser a mais próxima do Cyndaquil, só que logo antes de começar as rodadas o Bortoni disse que o Francisco queria a moeda do Totodile e tinha uma moeda do Cyndaquil que estava toda baleada. Eu preferi não pegar a moeda dele, mas mesmo assim lhe passei a do Totodile. O Bortoni me deu a sua moeda bonitona do Rayquaza e, como eu perdi a primeira rodada usando ela, resolvi trocar de novo de moeda. Entre as outras que restaram eu escolhi a do Tyranitar por achar a mais imponente que eu tinha. Foi ótima escolha, pois ela deu cara nos momentos mais cruciais durante o torneio.
Outro adendo a esta partida foi um conselho que pedi ao Semedo, no que ele fazia para vencer contra Virgen, já que estávamos com decks muito parecidos. Ele me explicou rapidamente entre uma rodada e outra que deveria distribuir dano com Yveltalzinho, já que os 30 de poison não iriam combar com o Bouffalant/Yveltal-EX, e que meu inimigo número 1 era o Virizion, que eu não poderia deixar ele dar mais que 1 Emerald Slash. Foi o que eu fiz e foi bem-sucedido contra o Francisco. Teve alguns momentos em que ele ficou sem Virizion no campo, e isso sim ajudou a bater mais com Laser. Também não lembro se foi 2-0 ou 2-1, mas foi uma partida muito divertida contra outro cara que passei a admirar muito. Foi muito importante para eu aprender a jogar contra quem eu iria enfrentar no Top 4.
5-1-0
7º Round X Nelson Magalhães (Darkrai/Yveltal/Garbodor)
O Nelson eu conheci ano passado, quando fui jogar um Regional no Rio e pegamos metrô juntos. Lembrei dele pois temos o mesmo sobrenome e sabia desde aquela época que ele é muito gente fina. A esta altura do campeonato nós dois estávamos na mesa 2, mas ainda assim não era garantia de Top de forma alguma, tanto que o colega que estava na mesa 1 acabou perdendo as duas seguintes e não fez Top.
Não lembro bem os detalhes desse match, mas a primeira partida ele levou com certa facilidade por ter montado Garbodor rápido, não me deixando usar Rush In e Dark Cloak e ter me deixado dormindo alguns turnos. A segunda partida ele estava bem na frente, mas eu consegui fazer um come back na base da sorte de catcher e laser também.
A terceira partida foi bem tensa porque estávamos com o tempo quase estourando e os juízes se sentaram ao nosso lado para observar a partida; eu estava com um pouco mais de vantagem e o Judge chamou a atenção dele por demorar no turno. No final ele acabou nos dando extensão de tempo de uns 3 minutos e, ainda assim, nos três turnos eu acabei zicado sem Supporter e sem acertar os catcher que precisava pra pegar meus últimos prizes. Acabamos empatando e ambos com a obrigação de vencer pra conseguir chegar ao Top.
5-1-1
8º Round X Gustavo Melo (Virgen)
O Gustavo é de Goiânia e já havíamos nos enfrentado três vezes: uma vez no City de Brasília e as outras duas vezes nos Regionais de Brasília e Goiânia – eu sempre com Darkrai/Yveltal e ele sempre de Virgen e no último Round do suíço, sendo que em Brasília nos enfrentamos no Top também.
Meu histórico com ele é de ter vencido todas: eu conhecia o deck dele, sabia como ele jogava e fiquei confiante quando vi que iria enfrentá-lo. No entanto, para minha grande surpresa e admiração, antes de começarmos a partida ele disse que iria me conceder a vitória, já que eu estava 5-1-1 e ele com 5-2-0 e com standings ruins, ou seja, mesmo que ele vencesse provavelmente não iria pro Top. Eu também não tinha a garantia de ir pro Top se vencesse, uma vez que iria depender dos resultados das outras partidas. Mas, de qualquer forma, jogamos pra ele me treinar e foi MUITO importante para eu me preparar contra os Virgen que iria enfrentar caso fosse para o Top.
A partida se resumiu em bater de Yveltalzinho e finalizar com Bouffalant e Yveltal-EX. O Gustavo joga muito bem e eu acredito que tem potencial de competir pelo título ano que vem também, além de ter meu imenso respeito e admiração.
6-1-1
Passei pro Top 8 em 6º lugar, com um alívio imenso – mas já preocupado, pois sabia que iria enfrentar novamente o Nelson com o deck que eu tive mais dificuldade de jogar durante o primeiro dia.
O suíço foi acabar quase meia-noite. Eu estava exausto, já não tinha dormido bem a noite anterior e estava com fome e sede. O Bortoni trouxe comida, bebida e me ajudou ainda naquela noite a treinar mais um pouco. Eu montei um Darkrai/Yveltal/Garbodor com uma lista o mais parecida possível que eu consegui lembrar do meu oponente e jogamos uma partida. O campeão mundial Gustavo Wada foi ao nosso quarto ainda naquela noite e jogou umas três ou quatro partidas usando o deck do Nelson, e eu perdi TODAS! Até que chegou a hora em que eu disse: “preciso descansar, não consigo mais raciocinar”. Agradeço ao Guto e ao Mauro Wada pela força nesta noite, são estes pequenos momentos que nos trazem a dificuldade, mas ao mesmo tempo a vontade de nos superar.
Acordei no dia seguinte às 7h30, tomei um banho e acordei o Bortoni para me treinar mais umas três partidas contra o deck do Nelson. Ele ganhou a primeira e eu as outras duas, então fiquei mais confiante. Estava preocupado, pois sabia que iria enfrentar Virgen caso fosse pro Top 4, mas como havia vencido contra Virgen no suíço preferi focar no match do Nelson mesmo. Estava uma pilha de nervos até sentar na mesa e começar a jogar. Fiquei mais tenso ainda quando vi que iria pro Stream. Lembrei da final do ano passado, do nervosismo, da pressão… e resolvi deixar tudo pra trás. Me lembrei que um oponente durante o Mundial me viu muito nervoso e me disse muito gentilmente: “This is just another game, imagine you are playing with your friend”, ou seja, “Esta é só mais uma partida, pense que você está jogando com um amigo seu”. Foi o que eu fiz durante todo o Top desse ano.
Top 8 X Nelson Magalhães (Darkrai/Yveltal/Garbodor)
Não lembro bem como foram as duas primeiras partidas, só sei que eu ganhei a primeira e ele a segunda. Ele joga muito bem, tive medo de usar Keldeo e ele deixar o Keldeo preso na frente dormindo e envenenado com Garbodor ativado, então foquei em bater só de Yveltalzinho e Bouffalant pra dar um prize por vez. A última partida foi muito tensa, pois ele tinha aberto uma vantagem absurda no começo e eu tive que fazer um come back mítico, jogando na base do N e do laser/catcher. O tempo estava para ser chamado quando me faltavam dois prêmios e eu consegui deixar um Yveltal-EX dele preso na frente com sleep e poison. Ele não acordou no turno dele e não tinha como tirá-lo da frente. Eu ataquei para poder avançar ao Top 4.

Top 4 X Cesar Lopes (Virgen/Roserade)
Sabia que seria a partida mais difícil até então, pois iria enfrentar um Campeão Nacional e o primeiro top player que eu passei a admirar, mesmo ele não sabendo disso. Pensei que iria perder de cara, pois comecei de Keldeo – ou seja, dois prizes grátis pro Virgen. Eu comecei e consegui dar Laser Bank no Virizion ativo dele e recuar o Keldeo; ele preferiu ligar energia no Virizion do banco e deixou o dano correr no ativo.
No outro turno eu consegui nocautear o Virizion ativo já atacando, derrubei o segundo Virizion e o Genesect por último – tudo com muita dificuldade, pois ele me dava N o tempo todo. Na segunda partida ele conseguiu fazer o setup rápido, montou dois Genesect e eu não tive muito o que fazer – tinha uma mão perfeita pra usar Oblivion Wing e já energizar os Pokémon do banco, porém os dois Yveltalzinhos estavam no prêmio.
A terceira partida foi a mais emocionante e difícil: ele começou de Genesect e eu dei Laser Bank de novo no T1, ele deixou o dano rolando no Genesect enquanto armava o Virizion no banco – só que eu não consegui finalizar o Genesect dele a tempo de jeito nenhum, então ele recuou, deu Max Potion nele e começou a fazer o seu setup. Ele abriu vantagem e eu fui minando dano pra ir matando os Pokémon dele aos poucos. O tenso mesmo foi quando o tempo foi chamado: eu tinha acabado de nocautear o Sigilyph dele com Bouffalant/Muscle/Laser e ficamos eu com três prêmios e ele com dois, se não me engano. Como o tempo foi chamado entre turnos, o turno dele se tornou 1, o meu 2 e o dele 3 e pronto. Ou seja, eu tinha que puxar dois prêmios e ele não podia pegar nenhum; eu com um turno apenas e ele com dois.
Ele tinha um Genesect com Muscle no banco e um Virizion com uma energia apenas, eu tinha o Bouffalant ativo e um Yveltal com Muscle, duas Dark e uma DCE no banco. Ele me deu Tool Scraper e Hammer no Yveltal e deixou uma Roserade na frente pra eu não conseguir pegar os dois prêmios – ele quis que fôssemos pra morte súbita. Eu sabia que tinha carta o bastante pra nocautear o Genesect com o Yveltal-EX, mas precisava acertar um catcher de dois, e caso não acertasse os catcher eu podia perder de deck out. Então arrisquei tudo: usei Tool Scraper apenas no Virizion, deixei a Muscle no Genesect pra ele não ligar G-Booster no lugar e dei uma Juniper pra pegar 7 cartas de 8. Vieram os dois catcher, a última DCE e o Dark Patch que faltavam. Não tinha mais Muscle, acertei o primeiro catcher logo de cara e pude nocautear o Genesect dele – ele ficou sem como responder apenas com o Virizion e eu venci pela diferença de prêmios. Acabou sendo a partida mais difícil do torneio, vencendo o campeão que eu admiro. E foi assim que eu fui confiante pra mais uma final seguida do Nacional…
Final X Alex Silva (Flareon/Leafeon/Trevenant/Raichu/Terrakion)
Não conhecia o Alex. Nos falamos brevemente antes da partida, onde ele me disse que foi vice-campeão nacional alguns anos atrás e brincamos que naquele dia pelo menos um de nós deixaria de ser apenas vice. Não fazia a menor ideia de como era o deck dele, do que ele usava, qual era a estratégia, enfim…
Consegui conversar brevemente com algumas pessoas que haviam o enfrentado para ter ideia de como estava o deck dele e ouvi palpites do que eu deveria fazer contra. Sabia que tinha uma leve vantagem, pois eu consigo bater forte e rápido contra os Pokémon de baixo HP que ele usava – e caso ele quisesse me travar, o Trevenant tem fraqueza contra Dark. O grande problema era o Raichu, meu inimigo número 1.
A primeira partida foi relativamente tranqüila, pois eu consegui bater rápido, levei dois prizes rapidamente e acertei um catcher no Jirachi-EX dele, pegando mais dois prizes fáceis. Ele não tinha como responder, pois eu já estava com meu setup encaminhando. Então, ele desistiu e fomos pra segunda partida.
Nesta outra eu comecei com dois Yveltal-EX na mão e preferi baixar os dois com medo de não vir mais Pokémon caso eu ficasse zicado. Acabei sendo forçado a bater de Yveltal-EX mesmo e ele levou os dois com o Raichu, deixando Trevenant ativo enquanto fazia o setup. Tentei zicá-lo dando 2 ou 3 N seguidos, mas ele comprou Tropical Beach e sempre enchia a mão de volta. Ele deixou um Terrakion e um Flareon prontos no banco para responder contra qualquer coisa que eu mandasse pra frente, então eu acabei desistindo da partida e fomos para a terceira.
O início do fim foi meio tenso, pois ele montou Raichu rápido, porém logo que eu limpei os Raichu dele, ele ficou uns três turnos sem muita coisa para fazer. Então, levei 3 prizes fáceis, fiquei por 1 prêmio e tinha um Yveltal-EX baleado e um Yveltalzinho com Muscle e 3 energias pra bater 120, preferi poupar o Yveltalzinho, pois era ele quem tinha maior poder de fogo naquele momento. Tomei um N de uma carta e comprei um catcher; ele matou meu Yveltal com Terrakion zerado e eu pensei: “estou a uma cara de ser campeão!”. Já estava com a mão tremendo quando comprei a carta do turno e veio um laser: era tudo o que precisava pra somar 130 de dano no Terrakion dele.

Este foi um dos momentos mais felizes da minha vida, sem dúvida alguma. Todo o peso do ano anterior saiu das minhas costas e me senti com o dever cumprido. Agora é treinar para o Mundial, contar com os amigos sempre e com um pouco de sorte, claro.
Gostaria de agradecer a todos que torceram por mim e me ajudaram de alguma forma, mas em especial pro pessoal de Brasília: Bortoni e Daniel, que são meus grandes parceiros de treino; Bonfim, que sempre que possível jogamos e pela grande torcida; o Charlon, Bah e o Da Massa, que embora não estejam jogando tanto atualmente me ensinaram muito quando comecei a jogar.
Quem quiser pode me adicionar no Facebook e no Pokémon TCG Online, sempre que posso eu jogo umas partidas – meu nickname por lá é kikuichimoji.
Abraços a todos! ?
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