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07.2016 07.2016

Análise do Nacional americano e entrevista com Andrew Wamboldt

Análise do Nacional americano e entrevista com Andrew Wamboldt

Olá, leitores do blog da Copag – Pokémon!

Começarei este artigo me apresentando. Meu nome é Rafael Fuchs, sou um jogador de São Caetano do Sul/São Paulo, e esta temporada que para mim terminou com o nacional, foi a minha primeira temporada competitiva. Nela, aprendi bastante sobre o jogo, consegui chegar a 4 tops, mas infelizmente não ganhei nenhum desses torneios. Mas o que mais ficou de lição é que o jogo pode parecer difícil, eu mesmo não achei que iria conseguir evoluir tanto, mas com um pouco de dedicação, treino, leitura e bons amigos, você pode dar trabalho e até ganhar daqueles jogadores que você sempre vê nos tops, que figuram o ranking da América Latina e quem sabe até entrar para este Ranking, como foi com o Douglas por exemplo, top 4 no Nacional que começou a jogar este ano e teve uma temporada fantástica.

E o meu objetivo aqui no blog será ajudar você que quer melhorar seus resultados no competitivo mas não sabe bem como começar. Para isso, sempre farei textos sobre o metagame, sobre o competitivo, para que assim, você tenha acesso (ainda que resumidamente) a alguns assuntos que até hoje só são abordados em sites em inglês como o 60Cards, 6prizes Pokebeach e etc. Vale lembrar que o maior deles – 60cards – tem inclusive um brasileiro como redator e que gravou o nome lá: o Gabriel Semedo. Ele fez nada menos que criar e divulgar a lista de um deck que ele chamou de TurboToad mas que o mundo apelidou de WaterBox e que virou Tier 1-2 mundo a fora. Isso só demonstra que nós Brasileiros também podemos competir com qualquer um.

Neste primeiro artigo resolvi escrever sobre o Nacional dos EUA, que acotenceu há cerca de 10 dias. Principalmente por que foi o último grande torneio antes do mundial e por que neste torneio surgiram alguns decks “novos” que não vimos no nosso Nacional por exemplo e por que sempre podemos aprender algo com o maior nacional do mundo, não é mesmo?

Primeiro de tudo, vou explicar por que este torneio é fora da nossa realidade, mesmo sendo o Brasil tendo o segundo maior torneio do mundo. Pela primeira vez em um torneio Nacional deles, as vagas esgotaram-se. No total, jogaram 1105 masters, o que soma mais de 3 vezes nosso nacional. Entre Juniors e seniors, esse número chegou a 1300 segundo alguns players relataram nas redes sociais. E para que o torneio não tivesse 18 rodadas até o top, ele foi dividido em dois. Ou seja, formaram 2 torneios com os jogadores e passaram para o próximo dia 2 chaves de Top 32. Depois desse top 64, passariam os 8 melhores para o Day 3, o dia do top.

É MUITA gente, não é mesmo? O que eu achei bem curioso e interessante foi que poucos players conhecidos passaram para o Day 2. Alguns como o Jason Klaczynski por exemplo (multi campeão mundial e campeão do ano passado) até apareceram no Stream das primeiras mesas, e para a surpresa de muitos e até polêmica, fez um misplay bastante comentado, e considerado por alguns uma jogada intencional (famoso “se colar colou”), de tentar atacar com o Mew após usar Hex Maniac. Até os melhores erram, né? ?

Bom, do day 1 para o day 2, foram estes os jogadores e seus respectivos decks que passaram:

Chave Azul

1. Jorge Garcia (8-0-1) – Vespiquen AOR/Zoroark BKT/Yveltal
2. Christian Ortiz (7-0-2) – Night March/Mew FCO/Jirachi PR
3. Andrew Wamboldt (7-0-2) – Night March/Vespiquen AOR
4. Damien Hardy (7-0-2) – Night March
5. Ahmed Ali (7-1-1) – Night March
6. Michael Bergerac (7-2-0) – Trevenant BREAK/Hammers
7. Ryan Bruckner (7-2-0) – Night March
8. Stefan Tabaco (6-0-3) – Aromatisse XY/Sylveon EX/Seismitoad EX/Manaphy EX/M Rayquaza EX
9. Chris Siakala (7-2-0) – Night March
10. Drew Guritzky (6-0-3) – Night March
11. Tyler Ninomura (7-2-0) – Zygarde EX/Vileplume AOR
12. Nick Robinson (7-2-0) – Night March/Vespiquen AOR
13. Alex Koch (7-2-0) – M Manectric EX/Jolteon EX/Lugia EX/Trevenant EX/Mew FCO
14. Jeremy Jallen (6-1-2) – Night March
15. Dalen Dockery (6-1-2) – Tyrantrum EX/Giratina EX/Bronzong PHF
16. Sam VerNooy (6-1-2) – Night March/Mew FCO
17. Kian Amini (6-1-2) – Night March/Mew FCO
18. Brad Curcio (6-1-2) – Night March
19. Ryan Grant (6-1-2) – Night March
20. Travis Nunlist (6-1-2) – Seismitoad EX’s Waterbox
21. Azul Garcia Griego (6-1-2) – Vespiquen AOR/Zebstrika BPT
22. Marcos Garcia (6-1-2) – Seismitoad EX/Giratina EX
23. Kevin Murphy (6-1-2) – Vileplume AOR/Jolteon EX/Glaceon EX/Vespiquen AOR
24. Grafton Roll (6-1-2) – Zygarde EX/Carbink BREAK/Garbodor BPT
25. Fred X. Hoban (6-1-2) – Vileplume AOR/Vespiquen AOR
26. Samuel Hough (6-1-2) – Vileplume AOR/Jolteon EX/Glaceon EX
27. Jeffrey Cheng (6-1-2) – Medicham PRC/Carbink BREAK
28. Travis McKain (6-1-2) – Night March
29. Branden Jackson (6-1-2) – Zygarde EX/Vileplume AOR
30. Jason Annichiarico (6-1-2) – Night March
31. Jared Butler (6-1-2) – M Manectric EX/Jolteon EX/Gallade BKT
32. Long Bui (6-1-2) – Trevenant BREAK

Chave Laranja

1. Liam Williams (8-0-1) – Darkrai EX/Giratina EX/Hydreigon EX/Latios EX
2. James DePamphillis (8-1-0) – Trevenant BREAK/Hammers
3. Jeremy Gibson (7-1-1) – Night March/Gallade BKT/Mew FCO
4. Steven Singer (7-1-1) – Trevenant BREAK
5. Jimmy Pendarvis (7-1-1) – Seismitoad EX’s Waterbox
6. Paul Johnston (7-1-1) – Seismitoad EX’s Waterbox
7. Frank Diaz (6-0-3) – Yveltal/Zoroark BKT
8. Elijah Covitz (7-2-0) – Medicham PRC/Carbink BREAK/Garbodor BPT
9. Edwin Lopez (6-0-3) – Night March/Mew FCO/Jirachi PR
10. Daniel Lynch (7-2-0) – Seismitoad EX/Crobat PHF
11. Taylor Duffin (6-0-3) – Greninja BREAK
12. Dan Hellmeier (6-0-3) – Night March
13. Ronald Marlow (6-0-3) – Zygarde EX/Carbink BREAK
14. Mike Fouchet (7-2-0) – Night March
15. Kevin Baxter (6-1-2) – Yveltal/Zoroark BKT/Gallade BKT/Druddigon FLF
16. Aaron Tarbell (6-1-2) – Trevenant BREAK
17. Andrew Krekeler (6-1-2) – Trevenant BREAK
18. Darrell Moreno (6-1-2) – Night March/Mew FCO/Jirachi PR
19. Christian Velazquez (6-1-2) – Bronzong PHF/Genesect EX/Aegislash EX/Zoroark BKT
20. Lance Bradshaw (6-1-2) – M Manectric EX/Garbodor BPT
21. Eddie Caumiant (6-1-2) – Bronzong PHF/Genesect EX/Aegislash EX
22. Michael Slutsky (6-1-2) – Greninja BREAK
23. Conner LaVelle (6-1-2) – Night March
24. JC Sharp (6-1-2) – Night March/Vespiquen AOR
25. Russell LaParre (6-1-2) – Seismitoad EX’s Waterbox
26. Aaron Clarke (6-1-2) – Zygarde EX/Carbink BREAK/Regirock EX
27. David Olivas (6-1-2) – Night March
28. Justin Aaron (6-1-2) – Night March
29. Kolton Day (6-1-2) – Night March/Gallade BKT/Marowak FCO
30. Zach Elliot (6-1-2) – M Manectric EX/Jolteon EX/Raikou BKT/Articuno ROS
31. John Foster (6-1-2) – M Rayquaza EX
32. Sorina Radu (6-2-1) – Darkrai EX/Giratina EX/Hydreigon EX/Latios EX

Nas listas, podemos ver que tivemos em sua grande maioria decks bem conhecidos, metagame bem padrão (e por que não citar, diversificado), mas eu destacaria principalmente a aparição de Night March/Vespiqueen que vinha sendo pouquíssimo usado e teve sua ascenção pois lida bem com Jolteon , Waterbox, e Zygarde , e até mesmo Wailord, além de sobreviver um pouco melhor a Trevenant. Outra surpresa foi a aparição de alguns Medichams nesse top, que com a adição de dano do Regirock, aceleração de energia de Carbink break, e o abuso das Focus Sash (que com menos morcegos acabaram funcionando bem) conseguiram lidar com decks complicadíssimos e assim chegaram ao day 2, um em cada chave. Outro que surpreendeu foi Metal com o novo Genesect e Bronzong, que juntamente à habilidade de Aegislash consegue parar boa parte do metagame e ser agressivo e rápido ao mesmo tempo. Os demais decks eram todos esperados, variantes de Night March aos kilos, variantes de Yveltal/Zoroark, Vespiqueen, alguns Rayquazas, Jolteons, WaterBox, Trevenant, Greninja e Darkrai/Giratina, um novo “contender” e também vimos muito Garbodor de tech em tudo que conseguiram espaço.

Para o Day 2, praticamente todos os jogadores conhecidos internacionalmente caíram, e o Top foi bem diferente, praticamente todos os players eram caras novas para o público de fora dos EUA, e acabou sagrando Nick Robinson como campeão, após partidas bastante difíceis e uma final muito bem jogada contra um Toad/Tina complicado. Para aqueles que não assistiram as partidas, recomendo muito buscarem no youtube e twitch oficiais da Pokemon.

Ficou assim o top 8 que jogou o Day 3:

1. Chris Siakala (11-2-2) – Night March
2. Paul Johnston (11-2-2) – Seismitoad EX’s Waterbox
3. Michael Bergerac (11-2-2) – Trevenant BREAK/Hammers
4. James DePamphilis (10-1-4) – Trevenant BREAK/Hammers
5. Liam Williams (11-3-1) – Darkrai EX/Giratina EX/Hydreigon EX/Latios EX
6. Nick Robinson (11-3-1) – Night March/Vespiquen AOR
7. Fred X. Hoban (10-1-4) – Vileplume AOR/Vespiquen AOR
8. Marcos Garcia (10-2-3) – Seismitoad EX/Giratina EX

As listas exatas de cada deck são disponibilizadas no site oficial da Pokemon Company, basta olhar o link abaixo:

http://www.pokemon.com/us/play-pokemon/nationals-2016/decks/masters/

O Chaveamento do top 8 ficou dessa forma:

image1

E a classificação final ficou dessa forma:

 

Standing Name Deck Chave Match
Record
1 Nick Robinson NM/Vespiqueen             2 14/3/1 (34)
2 Marcos Garcia (B1) Toad/ Tina 2 12/3/3 (33)
3 Paul Johnston Waterbox 1 12/3/2 (35)
4 Liam Williams Darkrai/Giratina 1 12/4/1 (34)
5 Chris Siakala NM 2 11/3/2 (35)
6 Michael Bergerac (B1) Trevenant/Hammer 2 11/3/2 (35)
7 James DePamphilis Trevenant/Hammer 1 10/2/4 (34)
8 Fred Hoban VespiPlume 2 10/2/4 (34)

Analisando o final, vemos que do top 8 inteiro temos apenas dois jogadores com um bye (B1), ou seja, que ganharam algum regional ou State. E nenhum com dois bye (B2). Isso nos mostra que o jogo está cada vez menos polarizado e que novos jogadores podem sim obter muito sucesso num torneio grande mesmo sem terem feito uma temporada recheada de vitórias.

Segue então um resumão das estatísticas dos decks do torneio.

Resultados Gerais

Deck % Meta CPS Obtidos Colocações pontuáveis
Night March 37.46% 2360 25
Trevenant BREAK 11.11% 700 6
Seismitoad EX’s Waterbox 8.89% 560 4
Darkrai EX/Dragons 6.35% 400 2
Seismitoad EX/Giratina EX 6.35% 400 1
M Manectric EX 4.13% 260 4
Vileplume/Vespiquen 3.17% 200 1
Zygarde EX/Carbink BREAK 2.86% 180 3
Vespiquen 2.54% 160 2
Vileplume AOR/Zygarde EX 2.22% 140 2
Medicham/Carbink BREAK 2.22% 140 2
Yveltal/Zoroark 2.22% 140 2
Greninja BREAK 2.22% 140 2
Bronzong (Metal) 1.90% 120 2
Vileplume/Jolteon EX/Glaceon EX 1.90% 120 2
Seismitoad EX/Crobat PHF 1.59% 100 1
M Rayquaza EX 0.95% 60 1
Bronzong (Dragons) 0.95% 60 1
Aromatisse 0.95% 60 1

Ranking

1. Night March
2. Trevenant BREAK
3. Seismitoad EX’s Waterbox
T-4. Darkrai EX/Dragons
T-4. Seismitoad EX/Giratina EX
6. M Manectric EX
7. Vileplume/Vespiquen
8. Zygarde EX/Carbink BREAK
9. Vespiquen
T-10. Vileplume/Zygarde EX
T-10. Medicham/Carbink BREAK
T-10. Yveltal/Zoroark
T-10. Greninja BREAK

Tier List

Tier 1
– Night March
Tier 2
– Tudo sem ser Night March

Já que chegamos até o fim do torneio, vou analisar a lista do campeão e tentar mostrar algumas de suas diferenças para um Night March puro e que o levaram a ser o vencedor do torneio.

image2

Primeiro ponto a ser citado na lista é o motivo de misturar um deck que teoricamente não precisa de mais atacantes e que tem uma lista bastante consistente, com as vespas. Só o Joltik e Pumpkaboo seriam suficientes para fazer estragos gigantes. E a resposta é que o Metagame pediu e permitiu isso. Anteriormente – até Breaktrough as únicas fragilidades do NM eram o Yveltal “Baby” (de XY Base), que podia nocautear um Night Marcher sem Muscle Band, com uma única energia e ainda energizar um outro pokemon. Isso dava certa vantagem ao Yveltal, pois enquanto você pegava prêmios pequenos com os yveltinhos, carregava um Zoroark por exemplo e nocauteava um Shaymin. Outra dificuldade era a partida contra morcegos, principalmente Manectric/Bats. Apesar do Manectric ser um Ex, ele conseguia distribuir 20 no ativo e 20 no banco, e no turno seguinte baixando alguns morcegos, era possível nocautear múltiplos Marchers. Então veio Breakpoint com um item chamado “Fighting Fury Belt”, que aumentava 40HP de Pokémon básicos. Depois disso, nunca mais se viram morcegos, por que não eram mais tão eficientes em causar danos pequenos já que as FFB tornavam um simples Joltik de 30HP em um Pokémon com 70HP, por exemplo. Além disso, outros decks como Greninja e Waterbox fizeram o YGZ entrar em certo desuso devido a partidas MUITO desfavoráveis, e hoje decks que usam Yveltal Baby são também acompanhados de EX, para desbalancear os prizes a favor do Night march. Além disso, surgiram decks que seriam partidas um pouco difíceis para NM, podendo citar novamente o Waterbox e o Greninja, além de variantes de Giratina. Cada uma dessas partidas teria que estar coberta no deck . Tendo isso tudo em vista, a lista de Nick considerou as mudanças que o metagame sofreu nas últimas coleções e inteligentemente cortou algumas coisas da lista, como por exemplo os próprios FFB (já que não tinha mais os morcegos como ameaças), target whistle, catcher, um segundo Lysandre, 1 estádio, e principalmente, itens de aceleração como trainer’s mail e acro bike. Num primeiro momento pode parecer perda de consistência, mas o deck tem 4 unow, 3 shaymin e 4 ultra ball (para os Shaymins), isso significa muitos draws rápidos e no caso dos unown, draws sem uso de item, e que aumentam o dano da Vespa. Considerando que há 4+ decks de item-Lock no metagame (Waterbox, Toad/Tina, Trevenant e Vileplume/Variants) , essa escolha faz bastante sentido. E a Vespa por ter mais HP (sobrevive bem ao trevenant e a uma Shuriken de um Greninja Break), e por conseguir atacar na fraqueza de Greninja, Toad, Zygard e etc, torna o deck bastante agressivo mesmo que com poucos recursos no seu descarte. Apenas 1 Sycamore e alguns Unown podem ser suficientes para nocautear um Toad. Contra a partida mais assustadora – Giratina — , nick colocou xerosic, hammer e ainda conseguiu encaixar um megafone. Com essas remoções de energia ele conseguiria quebrar o lock da giratina no late game, e com o megafone, conseguiria nocautes rápidos no início do jogo ao tirar as FFB dos Darkrais, Giratinas, Zygards, Toads, e etc. A lista pode parecer estranha para nós do Brasil pois Fusão de Destinos ainda não chegou aqui e com ela as mudanças no metagame, porém, essa é uma lista bastante consistente que já vinha sido bastante comentada. O Nick usou 2 Dimension Valley, há listas até que não usam nenhum, deixando somente os Joltiks e Vespas encarregados de atacar, ou usando o estádio do oponente (Já que NM e Trevenant são os decks mais usados). E algumas listas usavam um Paralel city para reduzir o próprio banco a 3 espaços e tirar os shaymins do campo para evitar perda de prêmios extras. Seria a única mudança que EU faria no deck do Nick, porém, acho que ele conseguiu realmente uma lista bastante consistente , forte e rápida. Parabéns ao campeão!

E termino meu artigo com uma surpresa para todos os players, tanto os iniciantes quanto os “macaco véio”. Entrevistei o Andrew Wamboldt, que pra quem não conhece é o criador do site “The Charizard Lounge”, que é um tipo de centro de reports de resultados, análise de metagame e fonte de várias estatísticas importantíssimas para quem quer estudar o jogo e arriscar adivinhar o que vai encontrar em torneios. A entrevista foi feita em inglês e quem quiser ler a original, basta me pedir nos comentários. Vale a pena ler na íntegra e aprender algumas dicas de um jogador muito criativo, e que ajuda muito a comunidade de pokemon com um site tão completo, abrangente e o mais legal: gratuito. Foi de lá que tirei algumas informações usadas aqui como a lista dos tops com cada deck usado, e as estatísticas de quantos CPs cada deck conquistou, e vale muito a pena ler os artigos sobre o Nacional publicados lá.

Fuchs: Olá Andrew! Primeiramente, obrigado pela entrevista, é uma honra ter parte da sua experiência compartilhada com a comunidade brasileira. Acho seguro dizer que todo jogador competitivo no nosso país lê o seu site e admira seu trabalho, e em nome de todos aqui, eu gostaria de agradecê-lo pelo trabalho fantástico que você faz no “Charizard Lounge”.

Primeiramente, vamos traçar um “perfil do jogador”. Poderia nos contar um pouco sobre você?

Nome: Andrew Wamboldt
Idade: 26
Joga Desde: 2011
Sua “era” Favorita/formato favorito desde que começou a jogar: BCR­ROS (Pre­Trump Card Ban)
Expanded ou Standard? Neutro
Suas conquistas como jogador: 2x Worlds Qualifier, Day 2 Worlds 2015, State Champion
Um jogador que você admire: Kevin Baxter

Fuchs: Agora que conhecemos mais sobre você, vamos coversar um pouco sobre essa temporada e principalmente, sobre o Nacional Americano que aconteceu no último fim de semana. Sabemos que você jogou de Vespequeen/Night March e ficou invicto no dia 1, assegurando uma boa posição para o dia 2. Para aqueles que não sabem, você escreveu um grande artigo sobre esse deck alguns dias antes do nacional, quando você o usou em um torneio chamado “Origins”* ocorrido nos EUA. Por que você escolheu esse deck ? Ele teve a performance esperada?

Wamboldt: Durante os States Championships* os dois decks que se tornaram meus favoritos foram Vileplume/Vespiqueen e Yveltal/Zoroark, mas a crescente popularidade de decks de bronzong com Aegislash-Ex antes do Nacional tornou essas escolhas questionáveis para o torneio, e no início do formato, Greninja Break era o deck mais quente, e Yveltal/Zoroark tem uma partida horrível contra ele, então eu o risquei da minha lista de decks potenciais também, por que ele parecia pouco encaixável no modo como o metagame estava, pois parecia que estaria forrado de Greninjas, apesar de que o Y/Z tem uma ótima partida contra muitos dos outros decks top do formato.

Vileplume/Vespiquen é definitivamente o deck que meu coração mandaria eu usar para jogar o Nacional, porém minha mente dizia para eu olhar em outra direção. Com meus dois decks favoritos parecendo escolhas questionáveis, eu precisava de um outro deck. Nada novo tinha me empolgado, então eu recorri a ajuda de amigos e companheiros de equipe. Andrew Mahone esteve testando Night March/Vespiqueen por algum tempo e após conseguir com sucesso virar a desvantagem contra greninja com esse deck, ele me pareceu muito sólido para utilizar nos nacionais, então eu foquei a maioria dos meus testes para este deck e quanto mais eu o testava, eu ia ficando melhor e melhor com ele e passei a perder poucas partidas, o que é o que eu gosto de ver em um deck.

Eu acabei conseguindo um teste prático com ele no Origins, entrando no top 8 e perdendo para o Deck de Trevenant Break do Aaron Tarbell. Esse deck é uma partda que nós aceitamos ser desfavorável e não conseguimos fazer nenhuma modificação para torna-la favorável para nós, então essa é uma derrota esperada. Com Trevenant sendo o único deck que me nocauteou, o Origins definitivamente se mostrou um teste válido para o meu deck, A partir daí, eu fiz as adições óbvias de Martelo Avançado e Xerosic no meu deck, para poder derrotar decks de Giratina-Ex e senti que estava pronto para os Nacionais.

A razão principal de eu ter escolhido o deck foi não apenas pela crença geral que era o BDIF (Melhor deck do formato) , mas por que de fato, testado e verificado pelos meus testes e resultados pessoais que este é o melhor deck do formato.

Eu diria que o deck cumpriu totalmente a performance que eu esperava dele. Todas as partidas jogadas durante o torneio ocorreram exatamente como elas deveriam acontecer baseadas nos meus destes.

*Origins foi um torneio Premier especial, valendo CPs e valendo uma viagem para o Mundial. Normalmente não ocorrem torneios premier após os States/Regionais, e este ano foi uma excessão.

*State/Province são torneios da “classe” dos regionais, mas menores em número de players e em CP’s. Contudo, eles contam como regionais para o cap máximo de CP’s que o jogador pode ganhar.

Fuchs: Pode nos contar quais partidas você enfrentou no Day 1 e depois no Day 2 do torneio?

Wamboldt: Day 1:

Round 1 ­ Bye (1­0­0) *
*Nos EUA, jogadores que ganham regionais ou States, recebem um “Bye” de vantagem para o nacional (máximo 2), onde já iniciam o torneio com uma vitória na primeira rodada.

Round 2 ­ Edan Lewis ­ Night March/Vespiquen ­ WW (2­0­0)

Round 3 ­ Eric Gansman ­ Vileplume/Vespiquen/Jolteon EX ­ WW (3­0­0)

Round 4 ­ Patrick Brodesser ­ Vileplume/Zygarde EX/Carbink BREAK ­ WW (4­0­0)

Round 5 ­ Michael Bergerac ­ Trevenant BREAK/Hammers ­ WLW (5­0­0)

Round 6 ­ Christian Ortiz ­ Night March/Mew/Jirachi ­ WL (5­0­1)

Round 7 ­ Sam VerNooy ­ Night March/Mew/Jirachi ­ WL (5­0­2)

Round 8 ­ Travis McKain ­ Night March/Mew ­ WW (6­0­2)

Round 9 ­ Travis Nunlist ­ Water Toolbox ­ WW (7­0­2)

Day 2:

Round 10 ­ Jamie DePamphillis ­ Trevenant BREAK/Hammers ­ LWL (7­1­2)

Round 11 ­ Kolton Day ­ Night March/Maxie’s ­ WL (7­1­3)

Round 12 ­ Fred Hoban ­ Vileplume/Vespiquen ­ WLL (7­2­3)

Round 13 ­ Kevin Baxter ­ Yveltal/Zoroark/Gallade ­ LWL (7­3­3)

Round 14 ­ Zach Elliot ­ M Manectric EX/Jolteon EX/Articuno/Raikou ­ WL (7­3­4)

Round 15 ­ Ronald Marlow ­ Carbink BREAK/Zygarde EX/Lucario EX ­ WW (8­3­4)

Total:
Day 1 – 7-0-2
Day 2 – 1 -2-2

Fuchs: Após o Day 2 , onde infelizmente você não conseguiu chegar ao top 8, eu li você dizendo no Virbank * que se você pudesse, você teria jogado de Vespiqueen/Vileplume. No fim das contas, um deck similar ao que você estava usando se consagrou o campeão do nacional de 2016, nas mãos de Nick Robinson. Você ainda acha que mudaria sua escolha para VespiPlume ou você acha que a força, velocidade e consistência do Night March ainda é a escolha mais forte? (Eu não conheço as listas exatas, mas acredito que sua lista e a do Nick sejam similares)

Após ter tempo de refletir totalmente no torneio como um todo, eu acho que fiz a escolha certa com o NM/Vespa. Eu acho que VespiPlume provavelmente teria me dado um caminho mais seguro ao Top 8, mas eu acho que o deck que usei tinha armas melhores para realmente vencer o torneio, considerando os inúmeros decks de Giratina presentes no Top 8. Eu acho que o motivo principal que Nick conseguiu ganhar o torneio enquanto eu acabei caindo, é por que o time dele acabou criando uma lista melhor para o deck. Em particular, utilizar 4 Unown deu ao deck o impulso necessário que ele precisava para as vitórias. Eu pessoalmente cortei da lista 2 Unown para incluir techs contra Giratina-Ex, e isso abalou a consistência do deck e seu poder de compra enquanto estava em lock de item. E no curso de um torneio desta magnitude, esse pequeno aumento de consistência pode fazer toda a diferença. Com exceção de um jogo ontem 3 das minhas DCE caíram nos prizes na partida contra o Item Lock de Trevenant, nenhum dos meus outros jogos no torneio foram derrotas arrasadoras, e todas elas foram bem parelhas. Se eu tivesse esta pequena ajuda de consistência dos unown nessas partidas, esses pequenos draws poderiam ser o que eu realmente precisava para tornar derrotas apertadas, em vitórias apertadas. Por exemplo, no terceiro jogo da minha partida do Round 10, contra Trevenant Break, tudo que eu precisava para ganhar o jogo no final era comprar um Shaymin Ex e então provavelmente eu teria ganhado dele por deck-out. (*Nota: provavelmente por que o Shaymin faria loop e não pode ser nocauteado pelo Trevenant em 1 ataque) . São cenários como esses onde aquela consistência extra pode te fazer comprar o que você precisa e se sair bem nesses jogos.

Então finalmente, eu diria que fiz a escolha certa em escolher esse deck, mas eu faria algmas mudanças nele. Além de usar mais 2 Unown, eu usaria também 1 Target Whistle, eu acho que usando target Whistle e Paralel City no meu deck teriam me dado uma ótima vantagem na Mirror contra Night March, onde eu poderia ter transformado 2-0-3 em 5-0-0.

Essa é uma das minhas maiores fraquezas como jogador. Enquanto eu constantemente tenho uma lista melhor do que 90% dos jogadores do torneios que eu jogo, eu raramente consigo a lista perfeita para aquele torneio, o que significa muitos resultados sólidos (tops), porém, poucas vitórias .

Fuchs: Falando a respeito de Vespiqueen/Vileplume, você é um dos criadores da lista quando você usou ela pela primeira vez para conseguir segunda posição na “Chicago Marathon”, e como você deve saber, foi o deck que ganhou nosso Nacional , usado pelo Raphael Branco. Como você se sente a respeito disso? Você imaginava que sua idéia original poderia se tornar um deck tier 1, e ganharia múltiplos torneios , até mesmo em outros continentes?

*Além do noss nacional, o Vespiplime ganhou o nacional do Reino Unido, múltiplos Regionais nos EUA e em outros países.

Wamboldt: É Fantástico! Acho que quando você começa a jogar esse jogo, você sonha em criar um deck icônico, mas realmente criar algo que se tornou um marco no Metagame do standard na temporada é sensacional. Por ter jogado quando a Vileplume de Undaunted era legal (havia uma Vileplume com a mesma habilidade na era de HGSS), eu sabia que criar um bom deck de vileplume seria uma das melhores maneira de criar uma vantagem enorme para si próprio quando eu fosse participar de um torneio, pois a habilidade de item lock é uma das habilidades mais fortes no jogo. Com Vileplume sendo lançada junto com Forest of Giant Plants eu seti que um deck que fizesse seu setup no turno 1 enquanto lockasse seu oponente antes mesmo dele conseguir montar seu campo seria o uso mais forte para o Vileplume, e isso acabou sendo uma das melhores idéias que eu já testei. E quando eu comecei jogar o deck pela primeira vez, o deck se mostrou bem forte nos testes, mas ainda haviam incertezas se ele poderia se dar bem num ambiente de torneio. Com um deck Rogue como este, sempre há uma incerteza se você criou algo realmente grandioso ou se realmente você deixou de ver alguma falha no deck, e ele é um deck ruim . Eu sabia que o deck tinha um grande potencial, mas até então ele não era considerado bom até eu conseguir fazer top com ele em Chicago. Depois que ele funcionou, não foi surpresa alguma ver que ele se consolidou e fez mais sucesso. Foi ótimo ver jogadores por todo o mundo usá-lo com sucesso em States e Nationals nessa temporada.

Fuchs: Agora, falando a respeito de compartilhar suas idéias, é raro ver pessoas que dedicam tanto tempo e esforços para compartilhar informações, reportar resultados e principalmente, publicar suas idéias e decklists como você faz; Outros sites que tem conteúdo similar funcionam através de uma assinatura paga e ela não é barata. O que faz você continuar com o trabalho duro que você desenvolve no seu site? Você pensa com frequência que você deveria ficar com suas idéias para si ao invés de compartilhá-las? O que te motiva?

Wamboldt: Eu acho que os maiores motivos que me mantém nisso são que o site me proporciona fazer coisas que eu adoro fazer. Eu gosto de escrever, e o site me permite fazer isso e compartilhar com os outros. Eu gosto de discutir ideias e conceitos, e o site me permite iniciar ou continuar discussões a respeito certas ideias do jogo. Eu também gosto de coletar dados e analisa-los, e o site também me permite fazer isso.

Eu também acho que é importante para o crescimento contínuo do lado competitivo do jogo, e para a história do jogo que os seus dados sejam propriamente gravados e para haver um local acessível aos jogadores poderem procurar informações desse lado competitivo.

Uma das piores coisas que poderiam acontecer para o crescimento do lado competitivo é que hajam jogadores interessado em ingressar nas competições e então tenham seu interesse abafado pois eles não conseguiram obter informações sobre isso pois ela estava toda trancada em sites pagos. Pessoas novas em algo geralmente não vão querer investir nada em serviços de assinatura para obter informações sobre algo, então isso poderia ser uma virada rápida para eles saírem do jogo. Por último , o crescimento do jogo seria a melhor coisa para todos envolvidos no competitivo. Mais jogadores significaria mais e maiores torneios, que levariam a premiações melhores.

Apesar de eu certamente ter feito um sacrifício a curto prazo escolhendo não escrever para algum site que paga seus redatores ou por cobrar eu mesmo por conteúdo, eu estou tranquilo com isso. Dinheiro não é tudo e se eu escolhi isso, eu acho que há outros meios criativos de um site me render algo além do pensamento simplista de criar um serviço de assinatura. Eu penso que o fluxo de informações é bom para o jogo. Especialmente após um o término de um torneio, e informações sobre um torneio prestes a acontecer . Isso dá aos jogadores a oportunidade de sentir que eles podem ser mais competitivos no jogo além de dar a eles acesso a listas que eles podem gostar mais de jogar do que os decks que eles mesmos criaram por si. Até mesmo antes de um torneio eu acho válido compartilhar um deck. Muitas vezes nossos primeiros rascunhos de decks são diferentes do resultado final que usamos em torneios, então publicar um deck previamente pode fazer você escutar o feedback geral da comunidade, aprender com a comunidade e então fazer ajustes para o seu deck com cartas que você não tinha pensado ainda e chegar a um resultado extremamente superior durante o torneio. Também pode ocasionar de que publicar uma idéia ajude um deck que você escolha não usar por algum motivo, a obter sucesso. Por exemplo, antes dos States a temporada passada, eu estava testando incessantemente Donphan/Primal Groudon. Eu o testei tanto que eu acabei ficando crítico demais ao deck, justamente por reconhecer que as falhas dele eram as variações de desempenho ocorridas no decorrer de diferentes partidas. Com minha confiança nesse deck abalada, eu acabei mudando o foco e passei a testar Yveltal EX como meu deck para os States. Eu acabei escrevendo um artigo antes desse torneio sobre esse deck que abandonei para que os amantes de Donphan pudessem usá-la durante o torneio e o deck acabou sendo copiado e no fim das contas se sagrou campeão dos States no primeiro final de semana. Se eu não tivesse compartilhado essa lista, talvez meu deck nunca talvez nunca tivesse visto jogo, e talvez não tivesse ganhado um States. Porém, talvez tivesse sido uma boa idéia, uma vez que eu mesmo fui o jogador a perder para este deck nas finais do torneio! Eu não temo que jogadores tenham mais informações sobre o jogo disponíveis para eles do que eles tinham no passado.

Eu não acho que o fato de haver mais players com acesso a informação realmente afeta negativamente minha possibilidade de ir bem nos torneios. E há também de se considerar o conceito de sobrecarga de informações onde as pessoas obtém mais e mais informações , e então ficam um pouco confusas e fazem escolhas piores do que fariam com menos informações. Eu acredito que isso ocorre neste jogo, onde alguns jogadores são melhores em analizar essas informações do que os outros. Então esse é um problema composto, pois nem toda a informação que tem por aí é boa, então os jogadores devem desenvolver a habilidade de discernir a boa fonte da fonte ruim. Há diversos escritores que vendem conteúdo como sendo experts, porém, não há nenhum expertise deles pois eles próprios são copiadores de decks. E há também escritores que são ótimos, mas escolhem intencionalmente em desviar ou influenciar erroneamente os jogadores com as informações que eles publicam.

Fuchs: Ainda sobre compartilhar suas ideias e listas, um fato interessante ocorreu numa partida envolvendo Vespiqueen/Vileplume nos rounds finais do Nacional. Depois de um Início “perfeito” e bastante explosivo no T1, Fred Hoban passou o turno e teve sua Vileplume puxada para ativo com um Lysandre e imediatamente ele concedeu a partida pois provavelmente não havia sobrado recursos para recuá-la. No segundo jogo, ele perdeu exatamente da mesma maneira. Levou Lysandre na Plume, lugou duas doublas para recuar. E então levou mais um Lysandre e concedeu. Isso aconteceu obviamente por que como o deck ficou famoso, os jogadores sabem que suas duas maiores fraquezas são: Sua fragilidade para Aegislash-Ex pois o deck só usa DCE para atacar, e há poucos suporters que podem lidar com a habilidade do aegislash no deck, e em segundo, a dificuldade que há de recuar a Vileplume quando ela está sem Float Stone. Você acha que o Fator surpresa de uma lista (como Wailord no seu último nacional) é a chave para obter aqueles CP inesperados numa temporada e talvez ganhar grandes torneios como um Nacional ou Mundial? Ou neste metagame atual não há nenhum espaço para que decks Rogue tenham sucesso?

Eu acho que na partida do Top 8 Fred acabou sendo atingido por um caso extremo de azar, especialmente no primeiro jogo. Ele usou o deck praticamente inteiro, e não achou nenhuma Float Stone, mesmo quando nenhuma estava nos prizes, o que é praticamente impossível. Sempre é arriscado evoluir a Vileplume sem float, mas eu acho que Fred fez a escolha certa , principalmente sabendo que Paul usava Glaceon Ex e que se não travasse itens rapidamente, ele poderia buscar e energizar o Glaceon com facilidade e perderia o jogo desta forma.

Fred jogou o deck muito bem e evoluiu a lista de uma maneira sólida. E é engraçado pois eu fui efetivamente derrubado da disputa pelo Top 8 justamente por ele, que estava usando minha própria criação maligna. Apesar de nunca ser legal ser nocauteado da disputa para vencer um torneio, eu fiquei bem feliz por ver Fred indo tão bem com o deck e eu estava torcendo por ele daquele ponto em diante.

Quanto ao fator surpresa, é sempre algo bom de se ter. Eu acho que evoluir decks e adicionar alguns novos truques na sua lista é sempre importante para ter novos trunfos e estratégias para estar sempre à frente. Por exemplo, Fred (Hoban) foi capaz de adaptar a lista para escapar dos counters comuns (Aegislash e Lysandre) adicionando um segundo AZ e um segundo Bunnelby no deck.

O melhor cenério para qualquer torneio é ter um deck um deck Rogue eficiente, que pessoas estão totalmente despreparadas para derrotar, seja por falta de estratégia ou por não ter as cartas necessárias em seus decks , mas isso nem sempre é possível, portanto, eu diria que algumas vezes diria que simplesmente desenvolver a melhor lista para um deck já existente é a maior chave para o sucesso.

Eu acho que o formato do Nacional em particular estava muito difícil para as pessoas conseguirem criar um deck Rogue forte principalmente porque Night March, Vespiplume, Trevenant e Greninja que estavam sendo considerados os 4 decks mais fortes após o lançamento de fates colide, todos limitavam o que você poderia jogar um muitas formas diferentes, tornando difícil criar decks rogue balanceados suficientemente para competir neste metagame difícil.

Fuchs: Outra coisa interessante sobre este nacional é que nomes Famosos Como Jason Klaczynski, Israel Sosa, Jose Marrero, Daniel Altavilla, Ross Cawthon, Josh Marking e tantos outros jogadores incríveis não conseguiram ir para o Day 2, e alguns jogadores bem desconhecidos (ao menos aqui no Brasil) chegaram inclusive até o Top 8. Na Sua opinião, por que isso aconteceu? Isso mostra que o jogo está evoluindo ou que está cada vez mais baseado em sorte (Não apenas nos draws, mas principalmente nos emparceiramentos)

Wamboldt: Eu acho que existem alguns jeitos diferentes de analisar os motivos aos quais jogadores renomados não chegaram ao Day 2. Para jogadores como Ross e Israel, onde ambos fizeram top 128, ambos passaram bem perto de conseguir pontuação, então emparceiramento desfavoráveis, azar nos draws, ou talvez apenas um único misplay crucial em algum ponto pode tê-los tirado do top 64. Outros players que ficaram longe do day 2, provavelmente foi o resultado de não conseguir treinar suficientemente as partidas, escolherem um deck ruim, uma lista ruim, ou talvez apenas jogaram mal e não conseguiram chegar lá.

Os melhores jogadores da atualidade no Pokemon é algo que está constantemente mudando. Há jogadores que eram considerados os melhores de sua época quando eu comecei a jogar e que ainda jogam, mas hoje são considerados pouco relevantes. Se você não se adapta às mudanças do jogo ou não se mantém comprometido com os treinos, é muito fácil decair neste jogo. Eu não acho que ele seja mais baseado na sorte que antes. Em cada novo formato com cada nova coleção lançada, o jogo te coloca novos desafios e problemas que os jogadores terão que superar. Eu não acho que haja mais habilidade envolvida em ganhar uma mirror de LuxChomp do que ganhar uma mirror de Night March. Sempre no passado e presente existem matchups que acabam sendo realmente decididas na sorte (como por exemplo uma mirror de Vespiplume geralmente é decidida logo na moeda para ver quem começa), mas essas situações nunca são descritas como a maioria de um formato desde que eu comecei a jogar. E o jogo é muito mais duro hoje do que antes. Os torneios são muito maiores, então existem mais jogadores a enfrentar e derrotar, logo a probabilidade de vencer um torneio é muito menor agora do que era antes, levando em conta somente o tamanho do torneio em si.

Além disso, haviam alguns jogadores cujo sucesso era principalmente devido a terem decks melhores, por que tinham cartas e listas amplamente superiores que os outros. Esse era o caso de 3/5 dos jogadores na época, que hoje consideraríamos decks não-competitivos se víssemos eles jogando um torneio atualmente. Hoje, com a disseminação de inforação em redes sociais, os jogadores tem listas melhores num geral , o que significa que o jogo está mais focado na habilidade para decidir as partidas do que era antes.

Fuchs: E minha última pergunta. Qual seria seu conselho para os jogadores que querem conseguir um invite* para o mundial na próxima temporada?
*para conseguir o invite, o jogador da américa latina, o nosso caso, deve atingir no mínimo 200CP na temporada

Wamboldt: Meu maior conselho seria para não se focar no Invite. Os jogadores que eu conheço que passaram a temporada dizendo com quantos CPs eles estavam e se focaram mais nesse número são justamente os que estão de fora do Mundial de Agosto. Os players que eu conheço que se focaram principalmente em ganhar o próximo torneio são geralmente os jogadores que irão jogar em agosto. Você deve focar no que está imediatamente na sua frente, e não no futuro que você acha que vai acontecer. Se você concentrar seu foco em ganhar seu próximo torneio, irá se assegurar que treinará e irá se preparar de forma adequada para essa vitória.

Seu objetivo principal deve ser aquele que vem logo a seguir. Quando chegar próximo a um torneio, seu objetivo deve ser fazer aquilo que precisa para ganhar o torneio. E quando estiver jogando o torneio, não deve focar em ganhar o torneio, mas sim em ganhar cada um de seus próximos jogos individualmente, pois assim você irá para cada jogo tentar ganha-los. Assim, seu invite para o mundial vai vir sozinho. Não será sempre fácil e se você estiver apenas começando nisso, haverá uma forte possibilidade de que você falhará. Eu levei 4 anos até conseguir jogar meu primeiro mundial (apesar que eu teria conseguido na terceira se o sistema da época fosse igual o atual). Sempre se concentre em melhorar como jogador, e se você treinar duro e melhorar seu jogo, eventualmente você chegará lá.

É isso galera , espero que tenham gostado e que o artigo ajude a todos!

Aquele abraço!

Escrito por: Equipe Copag

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