Usos e Abusos

O mais antigo jogo de cartas que se tem registro era praticado na Bavária, com referências em 1460. Chamava-se Karnöffel. Tratava-se de um jogo de vazas, seguindo o tipo de jogo praticado pelos mamelucos, com seu baralho “original”. Esses primitivos registros de sua existência referem-se às proibições por governos e autoridades eclesiásticas. Aliás, estas são as fontes mais disponíveis e confiáveis sobre a história do baralho e dos jogos com ele praticados. Suas regras só foram conhecidas recentemente, com a descoberta em um vale isolado da Suíça de um jogo que se adequava às descrições originais.

Certamente não foi o Karnöffel o primeiro jogo praticado pelos europeus após identificarem nas cartas mamelucas um excelente instrumento de lazer e, também, de eventuais ganhos financeiros. Jogos com cartas em variadas estruturas contam-se aos milhares. Alguns, simples entretenimentos familiares. Outros, “perigosas” batalhas de apostas, envolvendo profissionais experientes e ardilosos.

Trappola, Tressete, Hombre, Briscola, Primiera, Poch, identificam jogos antigos famosos, alguns ainda em uso; outros apenas antecessores de jogos modernos. Hoje temos o Bridge, Pôquer, Rummy, Copas, Canastra como jogos populares “internacionais”. Jogos “nacionais” são o Cribbage (Inglaterra), Belote (França), Skat (Alemanha), Jass (Nordeste da Suíça), apenas para citar alguns. No Brasil temos o Buraco, popular como jogo familiar, o Truco, em suas versões paulista e gaúcha, a Sueca, jogo de apostas rápido, e vários jogos infantis. Imigrantes trazem suas tradições em jogos que praticam em suas comunidades.

Nos cassinos, jogos típicos são bancados: Blackjack, Baccarat, Chemin de Fer (versão modificada do Baccarat, mais comum na Europa), Trente et Quarante. Nestes jogos não há o que chamamos de carteado. São todos jogados contra a banca, ou seja, contra o cassino.